Obra da Orla do Rio Acre, orçada em R$ 18 milhões, acumula quase três anos de atrasos e gera prejuízos em Brasiléia

Empresários, moradores e lideranças cobram retomada dos serviços; empreendimento segue marcado por paralisações e incertezas sobre a conclusão.
A construção da nova Orla do Rio Acre, em Brasiléia, uma das obras de infraestrutura urbana mais aguardadas pela população do Alto Acre, continua cercada por atrasos, paralisações e insatisfação popular. Com investimento estimado em R$ 18 milhões, o projeto foi anunciado como um marco para a revitalização da área central do município, mas, passados quase três anos desde o início das obras, o cenário encontrado é de abandono, prejuízos econômicos e frustração.
Os recursos destinados ao empreendimento são provenientes de emendas parlamentares do senador Márcio Bittar, em uma parceria envolvendo o Governo do Estado do Acre, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), a Prefeitura de Brasiléia e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
A ordem de serviço foi assinada em 24 de novembro de 2023, em cerimônia que reuniu autoridades estaduais e municipais. Na ocasião, o projeto foi apresentado como uma das maiores intervenções urbanísticas da história recente do município, prometendo transformar a margem do Rio Acre em um moderno espaço de convivência, lazer, turismo e valorização do comércio local.
Durante o lançamento, o então governador destacou que a nova orla deixaria Brasiléia “mais bela, bonita e harmônica”, além de representar um investimento destinado a melhorar a qualidade de vida da população e impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade.
Entretanto, a realidade observada atualmente é bastante diferente das expectativas criadas.

Obra enfrenta paralisações e falta de repasses

Apesar da grandiosidade do projeto, a execução dos serviços sofreu sucessivas interrupções ao longo dos últimos anos. Um dos principais fatores apontados para a desaceleração da obra é a necessidade de regularização dos repasses de recursos federais, situação que comprometeu o cronograma inicialmente previsto.
Enquanto isso, equipamentos permanecem parados, estruturas inacabadas se deterioram e o espaço segue cercado por tapumes, sem qualquer perspectiva concreta de conclusão em curto prazo.

Comerciantes acumulam prejuízos

A demora na execução tem provocado impactos diretos sobre comerciantes instalados nas proximidades da obra.
Segundo empresários da região central, além da redução significativa no fluxo de clientes, a movimentação restrita e o aspecto de abandono afastam consumidores e prejudicam diversos estabelecimentos comerciais.
Moradores também relatam dificuldades de mobilidade, problemas na circulação de veículos e pedestres e afirmam que o prolongamento da intervenção acabou transformando um projeto de desenvolvimento em motivo de preocupação para toda a cidade.

População cobra providências

Durante visita ao local, moradores demonstraram indignação com o estado atual da obra e cobraram uma resposta das autoridades responsáveis.
Uma moradora afirmou que a comunidade não é contrária ao projeto e reconhece sua importância para Brasiléia. O que gera revolta, segundo ela, é a falta de continuidade dos trabalhos.

“Nós queremos o melhor para esse espaço e para toda Brasiléia. Não estamos aqui para criticar a construção da orla, mas para cobrar que ela seja concluída. O que vemos hoje é uma obra parada, trazendo transtornos para todos.”

Outro ponto destacado pela população é que a estrutura, mesmo quando concluída, não terá como finalidade impedir enchentes do Rio Acre, mas sim revitalizar a área urbana e oferecer melhores condições de lazer, turismo e convivência.
Por isso, moradores defendem que os recursos públicos investidos sejam efetivamente convertidos em benefícios para a população.

Investimento milionário ainda sem resultados

Com orçamento de aproximadamente R$ 18 milhões, a Orla do Rio Acre representa um dos maiores investimentos em infraestrutura urbana já destinados ao município de Brasiléia.
No entanto, quase três anos após o início da execução, o empreendimento ainda não entregou os resultados esperados. A lentidão da obra tem alimentado críticas quanto à capacidade de execução e gestão dos recursos públicos, além de aumentar a cobrança por transparência na aplicação dos investimentos e na divulgação de um novo cronograma de conclusão.
Enquanto a revitalização permanece incompleta, empresários contabilizam prejuízos, moradores convivem diariamente com transtornos e a cidade continua aguardando que uma obra anunciada como símbolo de desenvolvimento finalmente saia do papel e cumpra o objetivo para o qual foi planejada.

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