Bocalom com razão minimiza pesquisas eleitorais e afirma que histórico de vitórias contradiz levantamentos de intenção de voto

Pré-candidato ao Governo do Acre, prefeito de Rio Branco diz que pesquisas antecipadas não refletem o comportamento do eleitor e relembra eleições em que venceu mesmo aparecendo atrás dos adversários.
O prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), voltou a minimizar o peso das pesquisas de intenção de voto divulgadas antes do período oficial da campanha eleitoral. Em entrevista, o gestor afirmou que, ao longo de sua trajetória política, os levantamentos eleitorais frequentemente apontaram cenários desfavoráveis à sua candidatura, mas, segundo ele, o resultado das urnas acabou contrariando as projeções.
Durante a conversa, Bocalom ressaltou que sua experiência política o levou a não atribuir grande importância às pesquisas realizadas muitos meses antes da eleição. Para o prefeito, o eleitor ainda não está focado no debate eleitoral e só passa a acompanhar efetivamente a disputa nas semanas finais da campanha.

“Eu não dou bola para pesquisa nesse momento. Pesquisa, para mim, só vai valer na reta final”, afirmou.

Histórico eleitoral citado por Bocalom

Ao justificar sua posição, Bocalom relembrou disputas anteriores nas quais, segundo ele, aparecia em posições desfavoráveis nos levantamentos.
O prefeito recordou a eleição municipal de 2020, quando, conforme seu relato, pesquisas realizadas cerca de um mês antes do primeiro turno o colocavam na terceira colocação, atrás de outros candidatos. Apesar disso, conseguiu avançar na disputa, quase venceu ainda no primeiro turno e acabou sendo eleito prefeito de Rio Branco no segundo turno com ampla vantagem.
Segundo Bocalom, naquele período ele chegou a enfrentar dificuldades pessoais durante a campanha.

“Passei cinco dias em casa por causa da Covid. Nem fui votar em mim. Mesmo assim, fomos para o segundo turno e vencemos com cerca de 75% dos votos.”

O pré-candidato também lembrou a disputa pela reeleição à Prefeitura de Rio Branco, em 2024, afirmando que novamente enfrentou previsões negativas durante a campanha.

“Diziam que o Bocão estava morto politicamente, que não ganharia a eleição. Encaramos o desafio, enfrentamos um adversário forte e vencemos no primeiro turno com 55% dos votos.”

Eleitor ainda não está voltado para a eleição

Na avaliação do prefeito, o momento atual ainda não desperta grande interesse do eleitorado pelas eleições estaduais.
Segundo ele, grande parte da população está concentrada nas dificuldades econômicas e na busca pela sobrevivência, deixando o debate político em segundo plano.

“O povo brasileiro, principalmente a classe trabalhadora, está correndo atrás da sobrevivência. Eles não têm tempo para acompanhar fofoca política ou discussão eleitoral todos os dias.”

Bocalom acredita que o cenário tende a mudar apenas quando começar oficialmente a propaganda eleitoral.

“É quando aparecem os candidatos na televisão, no rádio e nas ruas que o eleitor começa realmente a prestar atenção. É nessa hora que o nosso nome cresce.”

“Minha história fala por mim”

Durante a entrevista, Bocalom também destacou que sua trajetória administrativa representa um diferencial na disputa pelo Palácio Rio Branco.
Ele afirmou que seu histórico como prefeito da capital é amplamente conhecido pelos acreanos e que isso deverá pesar na decisão do eleitor durante a campanha.

“O Bocão tem uma história. Fui prefeito da capital e hoje sou novamente prefeito de Rio Branco. As pessoas conhecem o nosso trabalho.”

Críticas à influência das pesquisas

Outro ponto levantado pelo pré-candidato foi o possível impacto das pesquisas sobre o comportamento do eleitor.
Bocalom relembrou a disputa pelo Governo do Acre em 2010, quando afirmou que pesquisas divulgadas na reta final apontavam ampla vantagem de seu adversário. Segundo ele, esses levantamentos acabaram influenciando parte do eleitorado.

“Encontrei várias pessoas que disseram que deixaram de votar em mim porque acreditaram nas pesquisas. Elas acabam induzindo o voto.”

Apesar das críticas, o prefeito reconheceu que os levantamentos possuem importância quando realizados próximos ao dia da votação, mas reforçou que pesquisas feitas com muita antecedência não refletem, necessariamente, o cenário que será encontrado nas urnas.

Campanha ainda em fase inicial

Embora o calendário eleitoral ainda esteja distante da fase oficial de campanha, o discurso de Tião Bocalom sinaliza a estratégia que pretende adotar na pré-campanha ao Governo do Acre: valorizar sua trajetória política, destacar resultados administrativos e relativizar pesquisas divulgadas antes da definição do eleitorado.
Na avaliação do prefeito, o comportamento do eleitor só se consolida nas semanas finais da campanha, período em que acredita que sua experiência administrativa e seu histórico eleitoral terão maior peso na decisão dos acreanos.

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