Parlamentar fez um discurso contundente na tribuna da Câmara Municipal de Brasiléia, abordando o corte de benefício previdenciário de uma pessoa com deficiência, críticas à condução de fiscalizações do Detran e reivindicações relacionadas à recuperação de ramais na zona rural
Durante seu pronunciamento na sessão desta terça-feira da Câmara Municipal de Brasiléia, o vereador Zémar adotou um tom duro ao abordar problemas que, segundo ele, vêm atingindo diretamente moradores do município. O parlamentar concentrou parte de sua fala em críticas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente diante do cancelamento do benefício de uma pessoa com deficiência, e também questionou a atuação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em relação à apreensão de motocicletas.
Na abertura de seu pronunciamento, Zémar cumprimentou os vereadores, o público presente e fez uma saudação especial ao locutor Zezinho Moraes, a quem afirmou admirar desde a época em que ele ainda residia em Rondônia.
O vereador relembrou que acompanhava os programas evangélicos apresentados por Zezinho e destacou uma história contada pelo comunicador há mais de três décadas, relacionada a um hino e a um episódio real que, segundo ele, permaneceu em sua memória.
“Parabéns, Zé, por você ser esse homem que contribui muito com a nossa cidade”, afirmou o parlamentar, ressaltando a importância do trabalho desenvolvido pelo comunicador para a comunidade de Brasiléia.
Ramal do 47 volta a ser cobrado na Câmara
Antes de entrar nas críticas relacionadas ao INSS e ao sistema de fiscalização de trânsito, Zémar tratou de uma demanda da zona rural: a recuperação do ramal do 47 e de seus respectivos braços, além de outras localidades rurais.
O vereador afirmou que aquela região ainda não teria recebido, segundo sua avaliação, a atenção necessária em relação aos serviços de recuperação viária. Durante o pronunciamento, houve manifestação de outro parlamentar, que informou estar em contato com a administração municipal e relatou que o maquinário responsável pelos serviços estaria concluindo trabalhos no ramal 55 e, posteriormente, seguindo para o ramal do 47.
A discussão evidenciou a preocupação dos parlamentares com as condições de trafegabilidade das estradas vicinais, consideradas fundamentais para o deslocamento dos moradores e para o escoamento da produção rural.
Zémar agradeceu a participação do colega e afirmou que a cobrança não se limita à comunidade onde reside, mas se estende às demais localidades rurais do município.
O parlamentar também relatou ter mantido uma longa reunião com o prefeito Carlinhos do Pelado, tratando de diferentes demandas consideradas relevantes para Brasiléia. Segundo o vereador, entre os assuntos discutidos esteve justamente a situação do ramal do 47 e de seus braços.
Críticas contundentes ao INSS
Na sequência, o discurso ganhou um tom mais crítico quando Zémar passou a abordar o atendimento previdenciário e os cortes de benefícios do INSS.
O vereador citou o caso de Francisco, filho de Zesa e Nego Bandeira, apresentado por ele como uma pessoa com elevado grau de deficiência e dependente de cuidados permanentes.
Segundo o relato feito na tribuna, Francisco não fala, não anda, não se movimenta e não possui capacidade de comunicação convencional com o ambiente externo. O parlamentar afirmou ainda que o benefício previdenciário recebido por Francisco teria sido interrompido em fevereiro, apesar de, conforme seu relato, o benefício existir havia mais de duas décadas.
A situação foi classificada pelo vereador como uma medida de extrema gravidade, principalmente porque, segundo ele, a família depende do recurso para custear despesas indispensáveis ao tratamento e à manutenção da qualidade de vida do beneficiário.
Zémar citou especificamente gastos com medicamentos e fraldas, argumentando que o corte de um benefício destinado a uma pessoa em condição de dependência permanente pode produzir consequências sociais e familiares que ultrapassam a questão meramente administrativa.
“Olha a covardia. Olha a desumanidade”, afirmou o parlamentar ao comentar o caso.
Parlamentar cobra revisão de benefícios e denuncia situação na tribuna
Ao utilizar o caso de Francisco como exemplo, Zémar ampliou suas críticas para o processo de revisão e suspensão de benefícios previdenciários.
O vereador sustentou que pessoas que efetivamente necessitam da proteção previdenciária não podem ser prejudicadas por processos administrativos que, em sua avaliação, não levem adequadamente em consideração a realidade socioeconômica e as condições de saúde e dependência dos beneficiários.
Em seu discurso, Zémar também relacionou os cortes de benefícios às denúncias de irregularidades envolvendo o INSS e fez fortes críticas ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores.
Essas acusações políticas foram apresentadas pelo vereador como opinião e posicionamento pessoal durante o pronunciamento e não devem ser tratadas como fatos comprovados apenas a partir da fala parlamentar.
O vereador utilizou expressões severas para responsabilizar o governo Lula pelos problemas que, segundo sua interpretação, estariam atingindo aposentados e beneficiários do sistema previdenciário.
Caso Francisco é tratado como símbolo de uma preocupação maior
Apesar do caráter político da manifestação, o ponto central apresentado por Zémar foi o impacto social provocado pelo eventual cancelamento de benefícios de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.
Ao citar nominalmente a família de Francisco, o parlamentar afirmou que estava utilizando aquele caso para chamar a atenção das autoridades e da sociedade para outras situações semelhantes.
A preocupação apresentada na tribuna é especialmente relevante quando envolve pessoas com deficiência que dependem de benefícios públicos para despesas básicas. Nesses casos, uma interrupção de renda pode comprometer alimentação, medicamentos, fraldas, transporte, acompanhamento especializado e outros cuidados indispensáveis.
Zémar afirmou que fazia uma denúncia pública em nome de Francisco, de seus pais e da família, cobrando atenção para o caso.
A manifestação também reforça a necessidade de que situações de suspensão ou cessação de benefícios sejam analisadas dentro dos procedimentos administrativos previstos, com garantia de contraditório, possibilidade de recurso e apresentação da documentação necessária pelo beneficiário ou por seu representante legal.
Críticas ao Detran e apreensões de motocicletas
Outro ponto mencionado pelo vereador em seu pronunciamento foi a atuação do Detran em Brasiléia, especialmente no que diz respeito às apreensões de motocicletas.
Zémar questionou a forma como determinadas apreensões vêm sendo realizadas e chamou atenção para o destino dos veículos recolhidos. Segundo a manifestação apresentada no contexto do discurso, haveria preocupação com motocicletas apreendidas no município que posteriormente seriam encaminhadas para a região Nordeste e comercializadas em feiras.
O tema exige esclarecimento formal dos órgãos responsáveis, principalmente quanto à cadeia administrativa que envolve a apreensão, remoção, guarda, regularização, eventual leilão e destinação definitiva de veículos.
É importante distinguir, tecnicamente, apreensão ou remoção administrativa de eventual alienação por leilão ou outra forma legal de destinação. Também é necessário verificar individualmente cada procedimento para determinar se houve ou não irregularidade.
Dessa forma, a denúncia feita na tribuna deve ser entendida como uma cobrança política e institucional do vereador, cabendo aos órgãos competentes apresentar informações oficiais sobre os procedimentos adotados e sobre o destino dos veículos apreendidos.
Fiscalização precisa respeitar a lei e garantir transparência
A fiscalização de trânsito é uma atividade legítima e necessária para garantir segurança viária e cumprimento da legislação. Entretanto, justamente por envolver patrimônio, documentação e direitos dos cidadãos, os procedimentos administrativos devem observar critérios objetivos, transparência e respeito ao devido processo legal.
No caso das motocicletas mencionadas pelo parlamentar, eventuais dúvidas sobre remoção, transporte, armazenamento ou destinação precisam ser esclarecidas documentalmente.
Uma atuação transparente do órgão público é fundamental para evitar dúvidas entre proprietários, trabalhadores, comerciantes e demais cidadãos que dependem das motocicletas para suas atividades cotidianas.
Um discurso marcado por cobranças
O pronunciamento de Zémar percorreu diferentes áreas da administração pública: infraestrutura rural, Previdência Social e fiscalização de trânsito.
Na questão dos ramais, a cobrança foi direcionada à administração municipal e aos serviços de recuperação das estradas vicinais. No caso do INSS, o vereador concentrou sua indignação no cancelamento do benefício de Francisco e defendeu atenção especial às pessoas com deficiência e às famílias em situação de vulnerabilidade.
Já em relação ao Detran, a manifestação levantou questionamentos sobre as apreensões de motocicletas e sua posterior destinação, tema que, pela própria natureza, demanda esclarecimentos oficiais.
O discurso também foi marcado por forte conteúdo político, com críticas diretas ao governo federal e ao PT. Essas afirmações, por se tratarem de posicionamentos proferidos pelo vereador durante seu pronunciamento, devem ser apresentadas jornalisticamente como declarações atribuídas ao parlamentar, sem que sejam automaticamente tomadas como comprovação independente das acusações feitas.
Cobrança por respostas concretas
Ao levar os temas para a tribuna da Câmara Municipal, Zémar colocou em evidência problemas que, segundo sua manifestação, afetam diretamente moradores de Brasiléia.
O caso de Francisco aparece como o principal ponto de indignação do discurso, sobretudo pela alegação de que uma pessoa com deficiência severa teria tido o benefício interrompido depois de mais de 20 anos de recebimento.
A situação, caso confirmada documentalmente, merece atenção dos órgãos previdenciários e das autoridades responsáveis, especialmente para verificar os motivos administrativos que levaram à suspensão e quais mecanismos estão disponíveis para eventual revisão ou restabelecimento do benefício.
Da mesma forma, os questionamentos envolvendo motocicletas apreendidas precisam ser acompanhados de informações oficiais que permitam esclarecer a legalidade dos procedimentos e a destinação dos veículos.
Ao final, o pronunciamento deixa uma mensagem essencialmente de cobrança: quando uma decisão administrativa interfere diretamente na sobrevivência de uma família, no patrimônio de um trabalhador ou na mobilidade de uma comunidade rural, a população tem o direito de exigir transparência, justificativas e respostas concretas do poder público.


