Em entrevista concedida à Rádio Alto Acre e ao jornal Conexão Acre News, o vereador Zemar voltou a fazer duras críticas à atuação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na região do Alto Acre. O parlamentar afirmou que tem intensificado a fiscalização das ações do poder público e classificou como excessivas e prejudiciais as operações de apreensão de motocicletas bolivianas realizadas em Brasiléia, cidade que faz fronteira com Cobija, na Bolívia.
Segundo o vereador, sua principal preocupação é com o impacto das blitz sobre trabalhadores e famílias que vivem diariamente a realidade da fronteira, onde o intercâmbio comercial e social entre brasileiros e bolivianos faz parte da rotina.
Durante a entrevista, Zemar afirmou que há uma atuação conjunta entre o Detran e a empresa terceirizada WR, responsável pela remoção dos veículos apreendidos. Conforme relatou, após o prazo legal, motocicletas que não são resgatadas pelos proprietários acabam sendo levadas a leilão em lotes e comercializadas fora do estado.
“O que percebemos é uma campanha exagerada de aplicação de uma lei que ignora completamente a realidade da nossa região de fronteira”, declarou o vereador.
Reunião com o Detran
Após tornar públicas as denúncias, Zemar informou que participou de uma reunião com representantes do Detran em Brasiléia e com o representante do governo estadual, Joelson Ponte. Segundo ele, durante o encontro os gestores reconheceram que existe um grande número de operações de fiscalização e admitiram que há dificuldades relacionadas aos prazos para que os proprietários recorram da apreensão dos veículos.
Mesmo assim, o parlamentar considera insuficientes as justificativas apresentadas.
De acordo com Zemar, os custos cobrados para liberar as motocicletas inviabilizam a recuperação dos veículos. Ele citou despesas com multa, guincho, diárias de pátio e vistoria, que, somadas, muitas vezes ultrapassam o valor de mercado de motocicletas utilizadas por moradores da fronteira.
“Como uma pessoa vai recorrer de uma moto que vale cerca de dois mil reais, se os custos para retirá-la acabam sendo maiores que o próprio veículo?”, questionou.
Pedido de intervenção da governadora
Diante da situação, o vereador afirmou que pretende levar o caso diretamente à governadora do Acre, solicitando a suspensão das operações que considera arbitrárias.
Entre as medidas defendidas por Zemar estão:
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suspensão temporária das blitz na região;
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realização de campanhas educativas para orientar os proprietários;
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concessão de prazo para regularização da documentação dos veículos;
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criação de uma política específica para municípios de fronteira.
Segundo ele, Brasiléia e Cobija mantêm uma intensa relação comercial, econômica e cultural que precisa ser considerada pelas autoridades de trânsito.
“Nós vivemos numa região de fronteira. Brasileiros compram em Cobija e bolivianos compram em Brasiléia. Esse intercâmbio faz parte da nossa realidade e precisa ser respeitado.”


