O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) apresentou uma representação solicitando que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue se a proximidade das eleições de 2026 pode ter influenciado o aumento do déficit das contas públicas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido foi protocolado pelo subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, após a divulgação dos resultados fiscais dos primeiros cinco meses de 2026, que indicam uma deterioração significativa das contas do governo central.
De acordo com a representação, o governo federal acumulou um déficit primário de R$ 44,385 bilhões entre janeiro e maio de 2026. No mesmo período de 2025, o resultado havia sido positivo, registrando um superávit de R$ 32,940 bilhões, evidenciando uma mudança expressiva no cenário fiscal.
Os dados também mostram que somente no mês de maio de 2026, o déficit primário atingiu R$ 53,257 bilhões, resultado apontado como um dos piores já registrados para o período.
Na representação encaminhada ao TCU, Lucas Rocha Furtado reconhece que alguns fatores extraordinários, como a antecipação do pagamento de precatórios e questões relacionadas ao calendário orçamentário, podem ter contribuído para parte da deterioração das contas públicas. No entanto, segundo o subprocurador, esses fatores não seriam suficientes para afastar a necessidade de fiscalização.
“Ainda que fatores de calendário, como a antecipação de precatórios, possam explicar parcela da piora observada, tais elementos não afastam a magnitude do desequilíbrio nem a necessidade de fiscalização”, destacou Furtado na representação.


