Operação revela suposto esquema de corrupção no Instituto Rio Metrópole e aponta desvio superior a R$ 86 milhões dos cofres públicos

Investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro resultam na prisão de servidores públicos e empresários suspeitos de integrar organização criminosa que teria fraudado licitações, lavado dinheiro e desviado recursos destinados ao desenvolvimento da região metropolitana.
Uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou um suposto esquema de corrupção instalado no Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia estadual responsável pelo planejamento do desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o grupo investigado teria desviado mais de R$ 86 milhões dos cofres públicos nos últimos quatro anos por meio de fraudes em processos licitatórios, contratos direcionados e lavagem de dinheiro.
Entre os principais alvos da operação estão o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, o delegado da Polícia Civil Franks Dias Nepomuceno, o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva e a ex-fiscal do instituto Caroline Soares Barros, apontada pelo Ministério Público como uma das principais operadoras financeiras do esquema.

Instituto criado para desenvolver a região teria sido usado para desviar recursos

Criado em 2018, o Instituto Rio Metrópole nasceu com a missão de planejar políticas públicas voltadas ao crescimento da região metropolitana fluminense, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, transporte, saneamento, infraestrutura e desenvolvimento regional.
Entretanto, de acordo com os promotores responsáveis pela investigação, o órgão teria sido transformado em uma estrutura voltada para o desvio sistemático de recursos públicos.
Segundo o Ministério Público, empresas eram previamente escolhidas para vencer licitações, enquanto contratos milionários eram utilizados para alimentar um sofisticado esquema de corrupção que envolvia agentes públicos e pessoas ligadas à iniciativa privada.

Investigação começou após movimentação financeira considerada suspeita

As investigações tiveram início em janeiro deste ano, quando o Ministério Público recebeu uma denúncia envolvendo movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a função exercida por uma servidora do instituto.
O foco inicial recaiu sobre Caroline Soares Barros, então ex-fiscal do Instituto Rio Metrópole.
Conforme a investigação, Caroline realizou 13 saques em dinheiro vivo, ao longo de nove meses, totalizando mais de R$ 3 milhões.
Em uma dessas ocasiões, ela teria retirado R$ 500 mil em uma agência bancária localizada no interior do Estado do Rio de Janeiro.
Ainda segundo o Ministério Público, a servidora utilizava escolta armada durante os deslocamentos para realizar os saques, circunstância que despertou ainda mais suspeitas dos investigadores.

“Mulher da mala”

Durante as apurações, Caroline passou a ser conhecida pelos investigadores como a “mulher da mala”, em referência ao transporte frequente de grandes quantias de dinheiro em espécie.
O Ministério Público sustenta que ela também presidia um instituto de fachada, utilizado para receber parte dos recursos desviados por meio do esquema investigado.
Os promotores afirmam que a movimentação financeira em dinheiro vivo tinha como objetivo dificultar o rastreamento dos valores e ocultar a origem ilícita dos recursos.

Delegado e procurador também são investigados

Outro alvo da operação foi o delegado da Polícia Civil Franks Dias Nepomuceno, que, segundo o Ministério Público, seria um dos proprietários da empresa responsável por realizar a escolta durante o transporte do dinheiro sacado.
Também foi preso o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, apontado como integrante da organização criminosa.
Todos os investigados foram denunciados pelos crimes de:
  • Organização criminosa;
  • Corrupção passiva;
  • Fraude em licitações;
  • Lavagem de dinheiro.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Justiça determina afastamento e bloqueio de bens

Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento dos servidores públicos envolvidos e autorizou o sequestro de bens dos acusados, medida destinada a garantir eventual ressarcimento ao erário caso haja condenação definitiva.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão para recolhimento de documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam fortalecer as investigações.

Juiz faz dura crítica à situação do Estado

Na decisão que autorizou as prisões, o magistrado responsável pelo caso utilizou uma frase de forte impacto ao descrever a gravidade do esquema investigado:

“O Estado do Rio chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura.”

A declaração foi interpretada como uma referência ao elevado grau de deterioração institucional apontado pelas investigações.
Ministério Público afirma que estruturas públicas foram capturadas por organização criminosa
Durante a apresentação da operação, integrantes do Ministério Público afirmaram que a investigação demonstra como estruturas estatais podem ser utilizadas para beneficiar grupos criminosos quando há falhas nos mecanismos de controle.
Segundo os promotores, recursos que deveriam financiar políticas públicas voltadas à população acabaram sendo desviados por meio de contratos fraudulentos e empresas ligadas aos investigados.

Investigações continuam

O Ministério Público informou que as investigações permanecem em andamento e não descarta o surgimento de novos envolvidos ou de outras frentes de apuração.
Os investigadores buscam identificar o destino final dos recursos, possíveis beneficiários do esquema e a extensão dos prejuízos causados aos cofres públicos.
Caso as acusações sejam confirmadas pela Justiça após o devido processo legal, os responsáveis poderão responder por diversos crimes previstos na legislação brasileira, incluindo organização criminosa, corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro, além de serem obrigados a ressarcir os valores desviados ao patrimônio público.