Uma das maiores reservas subterrâneas de água doce já estimadas no planeta está localizada sob a região amazônica. Trata-se do Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA), identificado a partir de estudos de pesquisadores ligados à Universidade Federal do Pará (UFPA). As estimativas preliminares apontam para um volume de aproximadamente 162.520 km³ de água, considerando estruturas subterrâneas que podem alcançar até 500 metros de profundidade.
O SAGA integra sistemas aquíferos associados às bacias do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó, abrangendo uma área estimada em cerca de 1,3 milhão de km² no território brasileiro. A denominação ampliou a compreensão que anteriormente se concentrava no chamado Aquífero Alter do Chão.
Pela dimensão estimada, o volume hídrico do SAGA é frequentemente associado à possibilidade de abastecer a população mundial por aproximadamente 250 anos. Essa projeção, porém, deve ser interpretada como uma estimativa teórica baseada no volume total calculado, e não como uma indicação de que toda essa água esteja imediatamente disponível para captação e consumo. A quantidade efetivamente explorável depende de fatores geológicos, qualidade da água, profundidade, recarga natural, tecnologia e critérios ambientais.
Outro ponto importante é a conversão do volume: 1 km³ corresponde a 1 trilhão de litros. Portanto, 162.520 km³ equivalem a aproximadamente 162,5 quatrilhões de litros, e não 64 trilhões de litros. A correção é relevante para dimensionar adequadamente a magnitude da reserva.
A dimensão do SAGA coloca o Brasil em posição estratégica no debate internacional sobre segurança hídrica. A disponibilidade de água subterrânea pode representar uma vantagem econômica, ambiental e geopolítica diante do crescimento populacional, da urbanização e dos impactos das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos.
Especialistas, contudo, ressaltam que a existência de uma reserva gigantesca não significa autorização para exploração indiscriminada. O aproveitamento sustentável exige estudos hidrogeológicos detalhados, monitoramento da qualidade e da quantidade da água, controle da extração e proteção dos ecossistemas amazônicos, responsáveis por importantes processos de recarga e equilíbrio do sistema.
Mais do que um “oceano subterrâneo” a ser explorado, o SAGA representa um patrimônio hídrico estratégico, cujo conhecimento científico ainda está em desenvolvimento. O desafio brasileiro será transformar essa extraordinária disponibilidade natural em segurança hídrica sem comprometer a integridade ambiental da Amazônia e a sustentabilidade das futuras gerações.