A convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, realizada neste sábado, em São Paulo, foi marcada por uma estratégia política centrada no antipetismo, na defesa do legado de Jair Bolsonaro e na mobilização do eleitorado de direita.
A avaliação apresentada por Pedro Wenceslau é de que o evento foi cuidadosamente estruturado para fortalecer a imagem de Flávio Bolsonaro diante de um cenário de desgaste político e ampliar sua capacidade de articulação com outras forças do campo conservador.
Um dos destaques foi a participação, por vídeo, do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em uma mensagem de homenagem ao candidato. A presença internacional foi acompanhada da participação do presidente argentino, Javier Milei, que reforçou o discurso de oposição à esquerda, ao socialismo e ao progressismo.
No plano nacional, os discursos concentraram críticas ao Partido dos Trabalhadores e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscando apresentar Flávio Bolsonaro como um dos principais nomes da direita para a disputa presidencial de 2026.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também teve participação de destaque. Em seu discurso, defendeu uma ampla união política contra a esquerda e falou em uma possível “onda azul”, utilizando tom contundente contra o campo político adversário.
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, adotou uma linha semelhante, com críticas ao PT e uma forte defesa da mobilização do eleitorado conservador. Sua presença reforçou o peso político de São Paulo na estratégia eleitoral da direita.
Apesar da força da militância, a convenção também expôs desafios de articulação. Lideranças do União Brasil, Progressistas e Republicanos não estiveram presentes, embora as negociações com o Republicanos ainda estejam em andamento. Uma eventual aliança poderia ampliar o espaço de Flávio Bolsonaro no horário eleitoral e fortalecer sua estrutura partidária.
Outro elemento simbólico foi a participação de Michelle Bolsonaro, que, em vídeo, mencionou diretamente Flávio apenas uma vez, ao desejar que Deus abençoe sua candidatura, concentrando sua fala em sua atuação como liderança do PL Mulher.
Dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro também enviou uma mensagem em vídeo, mantendo a conexão política com o cenário internacional e fazendo referência positiva ao presidente americano Donald Trump.
O conjunto dos discursos e participações revelou uma estratégia clara: energizar a base bolsonarista, reforçar a identidade antipetista e ampliar a pressão por alianças partidárias. A convenção, portanto, funcionou não apenas como lançamento formal de candidatura, mas também como demonstração de força política e tentativa de consolidar Flávio Bolsonaro como um dos protagonistas da disputa presidencial de 2026.